Ferramentas bibliográficas

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Bibliometria

O termo Bibliometria foi criado em 1934 por Paul Otlet no Tratado de Documentação, sendo até aí conhecida como “bibliografia estatística” termo utilizado por Hulme em 1923.

“A aplicação da matemática e métodos estatísticos para livros e outras mídias de comunicação” (Pritchard, 1969, p 349). Esta é a área original de estudo que abrange livros e publicações em geral. O termo “bibliometria” foi proposto pela primeira vez por Otlet (1934; cf. Rousseau, 2014).

A partir de 1969, com a publicação do artigo “Bibliografia estatística ou Bibliometria” por Pritchard, esse termo consolidou-se e passou a designar o ramo da Ciência da Informação que, em particular, estuda e avalia a produção científica, utilizando métodos quantitativos e estatísticos específicos.

Esta avaliação é realizada por diferentes métodos (métricas), que medem a produção científica e a sua importância, quer no que se refere a um autor, (departamento, grupo de investigação, instituição, país) através da sua produtividade (número de artigos), a um artigo através da sua relevância, influência noutros investigadores (número de citações), ou a uma revista através da importância/relevância dos artigos publicados (fator de impacto) nos últimos anos (dois ou cinco anos).

Principais índices Bibliométricos

Índice de Produção: Contagem de Publicações (Publication Counts)
É a métrica que se baseia no número de artigos (publicações) científicos de um autor, departamento, grupo de investigação, instituição, país num determinado período. É uma métrica básica pois mede apenas a produtividade, não entrando em linha de conta com a relevância das publicações.

Índice de visibilidade ou impacto: Contagem de citações (Citation Counts)
É a métrica que se baseia na contagem de citações de um dado artigo ou conjunto de artigos, desde o ano da sua publicação ou num dado período de tempo. Baseia-se na “qualidade” de um artigo, pois se um artigo é citado é porque é reconhecida a sua relevância para a posterior produção científica.

Índice- h
H de Hisher, o seu autor em 2005, (h-índex) é proposto para aferir o número de publicações (artigos) e a contagem de citações dessas publicações, de um autor. É um único número que é o número de artigos científicos em que cada artigo tem esse número como mínimo de citações. Por exemplo, um índice de 5 de um autor significa que esse autor tem 5 artigos em que cada um tem um mínimo de 5 citações.
Também utilizado para revistas.

Fator de Impacto de uma Revista: (Journal Impact Factor – JIF)
É o “número médio” de citações a artigos científicos publicados nessa revista num período de tempo (normalmente os últimos dois ou cinco anos, em relação ao ano que se está calcular).

Na interpretação destas métricas existem fatores específicos a ter em atenção, em particular, na comparação de resultados.

Por exemplo, na comparação entre índices de produção ou índices de impacto de grupos (i.e., departamentos, instituições países etc.), tem também de se ter em atenção a dimensão dos grupos em questão, pois é natural que um grupo com um maior número de pessoas a fazer investigação publique mais artigos científicos ou tenha um número maior de citações aos seus trabalhos do que um grupo de menor dimensão.

Já por exemplo, na comparação entre índices de produção, índices de impacto ou índice-h de autores o número de anos como investigador (investigador que publica) é também importante pois como é óbvio um jovem investigador terá certamente valores inferiores a um investigador sênior.

Relativamente à comparação de Fatores de impacto de revistas é também importante, por exemplo, o número de exemplares anuais da revista, pois uma revista trimestral terá naturalmente mais citações que uma revista anual.

Existem também situações muito díspares entre diferentes áreas da ciência no que diz respeito às características de publicações e citações em cada área.

Por exemplo, na área de Ciência da Computação/Informática, os investigadores publicam mais em conferências, do que em revistas, e os seus artigos são habitualmente publicados em atas (proceedings) da conferência. Estes artigos, antes de serem aceites na conferência, tal como acontece na publicação de revistas, são revistos por pares/especialistas (peer review ou referreing), i.e. são avaliados por um ou mais especialistas da área, o que certifica a sua qualidade científica. Tal como acontece com as revistas, existem conferências que são bastante prestigiadas.

Principais Ferramentas Bibliométricas

Análises de artigos e autores

As três principais ferramentas para análises bibliométricas e de citações são aWeb of Science (disponível via Portal Capes),  Scopus (disponível via Portal Capes) e o Google Scholar (Google académico com menos funcionalidades) de acesso livre.

A cada uma destas ferramentas são atribuídas vantagens e desvantagens e a decisão de qual usar é de carácter pessoal, mas aconselha-se a utilizar no mínimo duas ferramentas e comparar o resultado entre elas.

Web of Science (Thomson Reuters)

É a ferramenta mais antiga para análise de citações e a escolhida por muitas instituições que realizam estudos bibliométricos. Disponibiliza em particular, o número total de citações e o índice-h de um autor.

No entanto, costuma ser indicado que, em algumas áreas como as áreas de ciências sociais, artes e humanidades, negócios, administração financeira, finanças e economia, engenharia e ciências de computação, esta ferramenta fornece resultados inferiores a outras ferramentas.

Google Scholar

É uma ferramenta de livre acesso. Pesquisa em todos os tipos de publicações, revistas, livros, artigos de conferência, etc. disponíveis na web. Disponibiliza também o número total de citações e o índice-h.

Um autor pode criar um perfil com a lista de artigos, número de citações e outra informação e pode torna-lo público (publicação do perfil) passando a estar acessível quando é feita uma pesquisa por nome de autor. Essas citações serão atualizadas automaticamente quando o Google Scholar encontra novas citações. Pode também escolher entre atualizar automaticamente quando são publicados novos artigos ou adicioná-los manualmente.

Uma das críticas que é apontada é o facto de na lista de resultados de uma pesquisa por autor puderem aparecer artigos que não correspondem àquele autor como também poderem faltar artigos, mas as funcionalidades que existem na gestão de um dado perfil pelo seu autor, nomeadamente adicionar e excluir artigos (por exemplo, os que não são da sua autoria) podem auxiliar.

Desde Fevereiro de 2014 (Web of Science v5.13.1), existe um link recíproco entre a Web of Science Core Collection e o Google Scholar. Numa pesquisa realizada na Google Scholar visualiza-se o número de citações existentes na Web of Science Core Collection, com um acesso rápido à página sumário de citações de artigo , e um link de retorno ao Google Scholar. A partir da Web of Science existe um link para a Google Scholar em que se pode aceder ao texto integral do documento. Mais informação aqui.

Análise e Ranking de Revistas

As principais ferramentas para análises bibliométricas de revistas são:

Journal Citation Reports® (Web of Science) Acesso
Disponível nas áreas de Ciências e Ciências Sociais.

Google Scholar
Acesso livre. Disponível para revistas em vários idiomas, incluindo o Português. Nas edições de Língua Inglesa por áreas da ciência e sub-categorias. Disponibiliza o h5-índice: o índice-h para artigos publicados nos últimos 5 anos (civis)  e o h5 mediana (mediana respetiva).

Acessos: aqui (versão em inglês),  aqui (versão em Português).

Altmetria – “O estudo e uso de medidas de impacto acadêmico com base na atividade em ferramentas e ambientes on-line” (Priem, 2014, p 266). Também chamado de cientometria 2.0, este campo substitui citações de periódicos com impactos em ferramentas de redes sociais, tais como visualizações, downloads, “curtidas”, blogs, Twitter, Mendelay, CiteULike.

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